Destino Mundo

UMA VIAGEM MILENAR PELO CAIRO

CLAUDIA TONACO


O Egito é um presente do Nilo. Assim um egípcio introduz seu país a um visitante, pois foi ao longo das margens do legendário rio que a terra dos faraós floresceu. Não por acaso, há milhares de anos esse território se chamava Kemet, o mesmo nome dado à terra fértil, lançada pelas águas da cheia do Nilo. Dela dependia a produção de grãos, frutas e pastagens, para sustentar uma civilização.
Por ser tão importante, o Nilo era considerado um deus. Batizado de Hápi, era glorificado todos os dias. A mitologia egípcia fluía através de suas águas. Era navegando em uma barca que o deus Sol, ou Ra, atravessava os céus e, à noite, descia ao rio do mundo subterrâneo para seguir, de novo, em direção ao nascente. Também sobre barcas eram transportados os deuses durante as procissões. Até suas margens tinham uma função mítica. No lado leste, situava-se o Império dos Vivos e, na margem oeste, voltada para o poente, encontrava-se o Império dos Mortos, com os túmulos dos reis e rainhas. Ventre, veia, via e vida. É impossível conceber o Egito e sua grandiosidade sem o Nilo.

Cidade do Cairo
Cidade do Cairo

Viagem começa no Cairo

Num país de tantas maravilhas, a cidade do Cairo merece atenção especial. Antiga como ela, só mesmo procurando nos livros de história. Lá, o tempo não é medido por séculos e sim por milênios. Nos contos das Mil e Uma Noites, há uma referência a ela como “a mãe do mundo”. Nascida sob a ascendência do planeta Marte (em egípcio Al-Qahir, ou o vitorioso), seu nome original era Al-Qahira, do qual Cairo é uma corruptela.

Na época do gregos, já era considerada uma atração turística. Desde o século 5 a.C., os tours clássicos passam pela capital do Egito. Nessa época, o viajante grego Heródoto deixou registradas suas impressões sobre a cidade.

Em 1869, Thomas Cook, o pai do turismo moderno, organizou a primeira excursão para o país, que incluía uma parada no Cairo e um cruzeiro pelo Nilo. De lá para cá, os roteiros mantiveram-se praticamente inalterados. O que mudou radicalmente foi o desenho arquitetônico da cidade. Mesmo sendo uma das mais antigas do mundo, ela permanece viva e mutante.

Quem chega à capital pela primeira vez sente uma estranheza que faz disparar o coração. Seguindo por uma pista de alta velocidade, o viajante pensa estar diante de uma miragem. Ao fundo, distinguindo-se dos arranha-céus, perfil natural de uma metrópole com mais de 16 milhões de habitantes, surgem as pirâmides de Gizé. Gigantescas, atarracadas sobre a areia do deserto, levam o visitante numa fração de segundos do mundo pós-moderno ao quase pré-histórico. O choque sentido pelo visitante é complexo e envolve cultura, tempo, espaço, civilizações e história. O contraste das pirâmides com as torres de vidro espelhado e letreiros de fast food é emblemático.
   

Vista das pirâmides a partir do hotel Sofitel
Vista das pirâmides a partir do hotel Sofitel

Fachada do Museu Egípcio
Fachada do Museu Egípcio

Perca o fôlego no Museu Egípcio

Entrar no Museu Egípcio do Cairo é uma aventura. Para tal é preciso passar por policiais armados e detectores de metais. A primeira tarefa é deixar a câmera fotográfica num dos muitos armários à disposição. Nem ouse desobedecer tais instruções. Fotografar dentro das salas é crime dos grandes.

O prédio de cor forte, em estilo neoclássico, conserva em suas salas de pé direito triplo mais de 120 mil relíquias de praticamente todos os períodos que vão do Antigo (2575 a.C.) ao Novo Reinado (1550 a.C.), e ainda objetos greco-romanos e do império de Alexandre, o Grande.

Chegue cedo e passe toda a manhã. Faça uma pausa para o almoço e retorne. Longe de ser cansativa, a visita oferece visões surpreendentes. Como um grande armazém arqueológico, pesados armários de madeira e vidro guardam dinastias completas de múmias dentro ou fora de seus sarcófagos. Nas vitrines menores, exposição de calçados, bijuterias, instrumentos musicais e brinquedos fazem contraponto às gigantescas estátuas em granito e tumbas trazidas intactas para os amplos recintos.

O salão das múmias reais e o de joalheria egípcia antiga são imprescindíveis, assim como o espaço dedicado exclusivamente ao faraó Ramsés II. O museu expõe uma réplica da Pedra de Roseta (a original está no Museu Britânico, em Londres), descoberta pelo exército de Napoleão e decodificada pelo chefe da expedição, Jean-François Champollion, que decifrou o significado dos hieróglifos.

Continue lendo a matéria

O tesouro de Tutancâmon

Veja outras matérias

Desenvolvido por ITE

© Copyright 2008 | Viagens Gerais | Av. do Contorno, 6888 - 1º Andar - Lourdes - Belo Horizonte, MG
Fone: (31) 3029-6854 - Fax: (31) 3029-6851.