Cidadão do Mundo
VOU ALI E JÁ VOLTO
MôNICA PIANCASTELLI

Apesar do frio intenso e da letargia de inverno que experimento agora, na Itália, minha febre por viagens continua a toda. Só não dá para pensar em ir para muito longe. Por causa da neve, algumas estradas podem ser bloqueadas a qualquer momento, assim como voos e trens serem cancelados. Resolvi, então, ir para algum lugar bem pertinho, a duas horas de casa. Como a regra básica deste sabático em que me encontro é não parar de estudar italiano, matriculei-me em uma escola, em Milão, por quatro semaninhas.
Comecei tudo outra vez. Cidade nova, escola nova, moradia nova, colegas novos. Pelo menos, a essas alturas, após algumas semanas de estudos em Gênova, já estava mais confiante em relação a minha fluência no idioma. Na bagagem, aquele básico para sobrevivência. Fiz um par de óculos novos, pois perdi o meu. Do princípio ao fim em italiano, marquei a consulta, fiz o exame com o oculista e escolhi os óculos (essa parte foi a mais fácil).
A escola, dessa vez, organizou minha acomodação. Ao chegar, uma senhora, da minha idade (!), muito simpática e com vontade de conversar, me recebeu em sua casa. Em alguns minutos, eu já sabia sobre a vida dela e de três gerações da família. Naturalmente, ela queria saber da minha. Prova de fogo.
Ficamos muito amigas. Daquelas que se ajudam na hora de passar a tintura no cabelo. Muita intimidade. Acontece também na Itália. Em casa, o acordo era que eu poderia usar a cozinha quando e como quisesse. Uma parte do armário e da geladeira era reservada para minhas compras. Tudo muito confortável e limpíssimo. E eu tinha também um quarto lindamente decorado, espaçoso, confortável e um banheiro só para mim.
Preferi adotar o esquema milanês de alimentação. Desde a primeira refeição do dia, come-se na rua. Ou melhor, no bar, onde se toma café com brioche. Os italianos tomam o cafezinho, o caffè corto ou o macchiato. O primeiro já é nosso velho conhecido, o segundo é um espresso fortíssimo e o terceiro é o primeiro com um pouco de espuma de leite. E, claro, tem mais opções. Tem o marocchino, meu favorito, que é um café espresso forte com espuma de leite, chocolate em pó e canela. E, não poderia faltar, o cappuccino.
Brioche é aquele pãozinho doce em forma de meia-lua, que nós chamamos, como os franceses, de croissant. Aqui, eles comem brioche recheado com marmelada, mel, creme de baunilha ou de chocolate. Mesmo com tantas opções, é sempre um café da manhã rápido, expresso. Aqui não tem aquele breakfast enorme, como nos vizinhos ingleses.
As aulas só começam às 10 da manhã. Uma maravilha poder dormir um pouco mais no inverno. O trajeto até a escola, faço de metrô. Tirei a sorte grande! Estação na porta de casa e também a poucos passos da escola. Isso, no inverno, acreditem, vale ouro. Em 20 minutos, atravesso a cidade.
O primeiro dia de aula em uma escola de idiomas tem sempre aquele momento constrangedor. Cada um se apresentando, quem sou eu, de onde venho, etc, etc, etc. Como essa já era a minha segunda escola, foi fácil, pois já tinha decorado o script. E mais fácil ainda se torna quando você diz que é brasileiro. É quando se ouve um tanto de “Ohs!” e “Ahs!”. O Brasil é aquele país que todos sonham em visitar um dia.
Uma das preocupações, naturais, para gente que, como eu, já é maior de “uma certa idade”, é a idade dos colegas. Na minha sala, a maior parte da turma tinha mais do que 25 anos. Acima dos cinquentinha (a certa idade...), havia uma argentina e outra brasileira. A idade média dos estudantes que vêm para a Itália é mais alta do que em países de língua inglesa. Em geral, o italiano é a segunda, ou terceira língua. Alguns precisam dela profissionalmente, mas a maioria quer é aprender o suficiente para usar em viagens. Só o vocabulário gastronômico já é suficiente para muitas semanas de curso.
Comecei tudo outra vez. Cidade nova, escola nova, moradia nova, colegas novos. Pelo menos, a essas alturas, após algumas semanas de estudos em Gênova, já estava mais confiante em relação a minha fluência no idioma. Na bagagem, aquele básico para sobrevivência. Fiz um par de óculos novos, pois perdi o meu. Do princípio ao fim em italiano, marquei a consulta, fiz o exame com o oculista e escolhi os óculos (essa parte foi a mais fácil).
A escola, dessa vez, organizou minha acomodação. Ao chegar, uma senhora, da minha idade (!), muito simpática e com vontade de conversar, me recebeu em sua casa. Em alguns minutos, eu já sabia sobre a vida dela e de três gerações da família. Naturalmente, ela queria saber da minha. Prova de fogo.
Ficamos muito amigas. Daquelas que se ajudam na hora de passar a tintura no cabelo. Muita intimidade. Acontece também na Itália. Em casa, o acordo era que eu poderia usar a cozinha quando e como quisesse. Uma parte do armário e da geladeira era reservada para minhas compras. Tudo muito confortável e limpíssimo. E eu tinha também um quarto lindamente decorado, espaçoso, confortável e um banheiro só para mim.
Preferi adotar o esquema milanês de alimentação. Desde a primeira refeição do dia, come-se na rua. Ou melhor, no bar, onde se toma café com brioche. Os italianos tomam o cafezinho, o caffè corto ou o macchiato. O primeiro já é nosso velho conhecido, o segundo é um espresso fortíssimo e o terceiro é o primeiro com um pouco de espuma de leite. E, claro, tem mais opções. Tem o marocchino, meu favorito, que é um café espresso forte com espuma de leite, chocolate em pó e canela. E, não poderia faltar, o cappuccino.
Brioche é aquele pãozinho doce em forma de meia-lua, que nós chamamos, como os franceses, de croissant. Aqui, eles comem brioche recheado com marmelada, mel, creme de baunilha ou de chocolate. Mesmo com tantas opções, é sempre um café da manhã rápido, expresso. Aqui não tem aquele breakfast enorme, como nos vizinhos ingleses.
As aulas só começam às 10 da manhã. Uma maravilha poder dormir um pouco mais no inverno. O trajeto até a escola, faço de metrô. Tirei a sorte grande! Estação na porta de casa e também a poucos passos da escola. Isso, no inverno, acreditem, vale ouro. Em 20 minutos, atravesso a cidade.
O primeiro dia de aula em uma escola de idiomas tem sempre aquele momento constrangedor. Cada um se apresentando, quem sou eu, de onde venho, etc, etc, etc. Como essa já era a minha segunda escola, foi fácil, pois já tinha decorado o script. E mais fácil ainda se torna quando você diz que é brasileiro. É quando se ouve um tanto de “Ohs!” e “Ahs!”. O Brasil é aquele país que todos sonham em visitar um dia.
Uma das preocupações, naturais, para gente que, como eu, já é maior de “uma certa idade”, é a idade dos colegas. Na minha sala, a maior parte da turma tinha mais do que 25 anos. Acima dos cinquentinha (a certa idade...), havia uma argentina e outra brasileira. A idade média dos estudantes que vêm para a Itália é mais alta do que em países de língua inglesa. Em geral, o italiano é a segunda, ou terceira língua. Alguns precisam dela profissionalmente, mas a maioria quer é aprender o suficiente para usar em viagens. Só o vocabulário gastronômico já é suficiente para muitas semanas de curso.












